Mais de 37 mil pessoas aguardam por um transplante de córnea no Brasil, sendo 213 delas em Sergipe, segundo dados da Central Estadual de Transplantes. A doação pode ajudar a mudar essa realidade e, para isso, o primeiro passo é simples: conversar com a família e manifestar o desejo de ser doador. Como a autorização para a doação após a morte cabe aos familiares, deixar essa vontade clara em vida pode fazer a diferença para quem espera pela oportunidade de voltar a enxergar. O alerta ganha força durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos.
O oftalmologista Allan Luz, doutor em Oftalmologia e Ciências Visuais pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e médico do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), destaca que a conversa em família é fundamental para que a vontade do potencial doador seja conhecida e respeitada.
“É importante que as pessoas conversem com seus familiares e digam: ‘eu quero ser doador’. Porque, no momento do óbito, quem vai autorizar a doação é a família. Então, se essa vontade já foi conversada, se os familiares sabem que aquela pessoa queria doar, o processo se torna muito mais tranquilo”, explica.
Como funciona
Após o óbito, a família é consultada e, mediante autorização, uma equipe especializada realiza a captação das córneas. O tecido é encaminhado ao Banco de Olhos para avaliação e preparo e, posteriormente, disponibilizado pela Central Estadual de Transplantes para um paciente que aguarda pelo procedimento.
A retirada também não provoca deformações visíveis no corpo do doador, uma dúvida que ainda pode gerar receio entre os familiares. “Ainda existem algumas dúvidas e receios relacionados à retirada do tecido, principalmente em relação à aparência do corpo do doador. Mas a família pode ficar muito tranquila. Não fica nada deformado. Não dá nem para saber que foi feita a doação”, tranquiliza Allan Luz.
Podem ser doadores de córnea pessoas entre dois e 80 anos que tenham falecido por parada cardíaca ou morte encefálica, desde que não apresentem condições que contraindiquem a doação. Além disso, não é necessária compatibilidade sanguínea entre doador e receptor, já que a córnea não possui vasos sanguíneos.
Benefícios para quem recebe
A importância desse gesto fica mais clara quando se olha para quem está do outro lado da fila. O transplante pode ser indicado para pacientes com doenças ou lesões que comprometem a córnea e não podem ser corrigidas com óculos ou lentes de contato.
Entre as principais causas estão o ceratocone, mais comum em pessoas jovens, e a distrofia de Fuchs, alteração relacionada ao envelhecimento. Dependendo do caso, o procedimento pode substituir apenas a camada comprometida da córnea ou toda a estrutura.
“Para o paciente, a cirurgia pode recuperar não apenas a capacidade de enxergar, mas a autonomia e as atividades do cotidiano. A pessoa volta a viver. Sem enxergar, você paralisa sua vida toda. Quando volta a enxergar, você retoma sua vida”, destaca Allan Luz.
Cenário em Sergipe
Sergipe ocupa a quarta posição no ranking nacional de realização de transplantes de córnea, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado em maio. Neste ano, 118 procedimentos já foram realizados no estado. Desse total, 73 foram feitos pelo Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), o equivalente a 61,9% dos transplantes realizados em Sergipe.
Mas apesar dos avanços, 213 pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea no estado, com tempo médio de espera de aproximadamente 11 meses. Para Allan Luz, os números reforçam a importância de ampliar a conscientização sobre a doação. “Você pode fazer outra pessoa voltar a enxergar. E não só a visão, mas a vida. Por isso, quem deseja ser doador precisa conversar com a família e deixar essa vontade clara. É uma atitude simples, mas que pode transformar a vida de alguém”, conclui.
Sobre o HOS
Com 40 anos de atuação, o Hospital de Olhos de Sergipe (HOS) é referência em oftalmologia no estado e conta atualmente com quatro unidades de atendimento: três em Aracaju, nos bairros Jardins, São José e Centro, e uma no município de Lagarto, ampliando o acesso à saúde ocular em diferentes regiões.
Com corpo clínico altamente qualificado e especialistas em diversas subespecialidades, o HOS alia experiência médica à tecnologia de ponta para a realização de exames, diagnósticos e procedimentos cirúrgicos com segurança e precisão. A instituição também dispõe de um centro especializado em adaptação de lentes de contato e atende mais de 30 convênios de saúde, reforçando seu compromisso com um atendimento acessível e de excelência.
Para mais informações, acesse hosergipe.com.br ou entre em contato pelo telefone (79) 3212 0800.
