O crescimento acelerado do turismo em Sergipe, especialmente em Aracaju, tem provocado impactos diretos e estruturais sobre a economia local. A ampliação do fluxo de visitantes, somada a elevados índices de ocupação e à maior projeção do destino no cenário nacional, impulsionou diferentes setores e levou o mercado imobiliário a viver um de seus momentos mais aquecidos nos últimos anos.
Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio-SE) indica que o estado alcançou, em 2025, um faturamento turístico histórico estimado em R$735 milhões. O resultado posicionou Sergipe na 12ª colocação no ranking nacional e na 6ª no Nordeste, consolidando Aracaju como um destino em ascensão e ajudando a explicar a crescente demanda por alternativas de hospedagem além do modelo hoteleiro tradicional.
Demanda turística impulsiona locações de curta duração
A intensificação da atividade turística ampliou o espaço para a locação por curta e média duração, especialmente em períodos de alta temporada e durante eventos de grande porte, como o Pré-Caju e o São João. Esse movimento se reflete no perfil das buscas. Apartamentos de um quarto e estúdios concentram 62% da procura por locação de curta duração na capital, segundo dados da plataforma AirDNA.
Para Edjou Dantas, gerente comercial da Urbane Incorporadora, esse avanço alterou de forma definitiva a lógica do investimento imobiliário na cidade. “O turismo cresceu muito e mudou completamente o cenário. Pensar em produtos imobiliários sem considerar esse novo fluxo de visitantes hoje seria ignorar uma realidade muito clara de Aracaju”, avalia.
Flexibilidade e rentabilidade atraem investidores
Nesse contexto, ganham espaço empreendimentos alinhados ao novo perfil de demanda. O foco recaiu sobre imóveis compactos, localização estratégica e soluções voltadas tanto para moradores quanto para visitantes. Projetos desse tipo apostam na flexibilidade de uso e em uma experiência inspirada na hotelaria, sem abrir mão da autonomia do proprietário.
“O foco inicial já nasce pensado na locação, tanto em alta quanto em baixa temporada. O conceito é oferecer um imóvel que possa ser usado de forma híbrida. Morar, alugar ou combinar as duas possibilidades. Isso influencia diretamente na rentabilidade e no posicionamento do produto”, explica Edjou.