Sergipe realizou um transplante de rim com doador falecido, marcando mais um avanço importante para a saúde pública estadual. O procedimento ocorreu na noite desta terça-feira, 6 de janeiro, na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), unidade contratualizada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que recebe investimento anual superior a R$ 241 milhões para a realização de procedimentos de alta complexidade.
O paciente transplantado, Josenaldo Oliveira, é um jovem de 25 anos, do município de Nossa Senhora da Glória, que convive com a doença renal crônica há cerca de dez meses, após a constatação de alterações renais, diagnóstico esse que o deixou assustado. “Após descobrir a doença, fui encaminhado para o Huse, onde precisei realizar cateterismo e iniciar as sessões de hemodiálise. Lá, recebi a notícia de que meu quadro era crônico e que seria necessário um transplante, o que foi um grande choque, principalmente por não haver histórico da doença na minha família. Poucos meses após o diagnóstico, tive convulsões e cheguei a entrar em coma. Saber que essa espera chegou ao fim e que poderei retomar minha qualidade de vida realizando o transplante no meu próprio estado é um alívio enorme”, contou o paciente emocionado.
A retomada do transplante renal com doador falecido simboliza a ampliação do acesso a tratamentos especializados, o que reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para outros estados. Além disso, o procedimento representa uma renovação de esperança e a possibilidade de melhoria da qualidade de vida para pessoas que aguardam na fila por um transplante.
O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, destacou que a retomada dos transplantes renais em Sergipe é mais um avanço para a população sergipana. “A retomada do transplante de rim é resultado da idealização do governador Fábio Mitidieri e do fortalecimento da política pública na época pela gestão de Cláudio Mitidieri, em parceria com o hospital responsável. Hoje, o estado colhe os frutos dessa iniciativa conjunta. Manifesto a gratidão aos familiares do doador que, com generosidade e solidariedade, disseram “sim” à doação de órgãos, transformando vidas e renovando a esperança. Que esse gesto fortaleça a conscientização e incentive a doação de órgãos, salvando vidas”, ressaltou.
O diretor técnico do Hospital de Cirurgia, Rilton Morais, explicou que a realização do transplante renal envolve um processo altamente complexo que passa por uma análise rigorosa de compatibilidade entre doador e receptor e pela coincidência de diversos fatores clínicos. “O Hospital de Cirurgia iniciou o projeto em 2022, com o credenciamento e a adequação da infraestrutura. No ano seguinte, o serviço foi implementado com a seleção e avaliação dos pacientes aptos, possibilitando a formação da lista de receptores. Quando ocorre uma doação, os dados do doador, como tipo sanguíneo e critérios clínicos, são cruzados para identificar o receptor compatível. Esse processo resultou na realização do primeiro transplante, considerado bem-sucedido”, frisou.
Doação que salva vidas
O transplante só foi possível graças à autorização familiar de um paciente internado no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), vítima de acidente motociclístico. Após quase dez dias de internação, foi confirmada a morte encefálica e iniciado o protocolo de doação.
Além do rim transplantado em Sergipe, também foram captados o coração, a primeira captação de 2026, o fígado e as córneas, beneficiando pacientes de Sergipe, Pernambuco e Espírito Santo . Somente nos primeiros dias do ano, já foram realizadas quatro captações de múltiplos órgãos e tecidos.“A atuação da equipe da OPO fortaleceu a resolutividade do processo. Estamos conseguindo fechar protocolos em até 24 horas, essencial para salvar mais vidas, seja por meio da doação ou da liberação de vagas em setores críticos”, explicou a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), Darcyana Costa.
O coordenador da Central de Transplantes, Benito Fernandez, contou que o momento é extremamente significativo por marcar a retomada do transplante renal com doador falecido. “A iniciativa fortalece a assistência aos pacientes, que agora podem realizar o procedimento próximo de seus familiares com acompanhamento adequado em caso de intercorrências. O sucesso do transplante dependeu de uma rigorosa avaliação de compatibilidade, incluindo critérios como ABO, HLA e cross-match negativo, garantindo a segurança do procedimento. Para a Central Estadual de Transplantes, esse momento representa a retomada de Sergipe na rota nacional dos transplantes renais, reafirmando a capacidade do estado de oferecer esse serviço de alta complexidade e dar continuidade à sua história na área dos transplantes”, afirmou.

Josenaldo Oliveira