Biomédica sergipana desenvolve pesquisa sobre genes relacionados à leucemia

O estudo vem sendo realizado no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (Labimuno), ligado ao Instituto de Ciências da Saúde da UFBA (ICS), em Salvador.

Por Redação, em 21 de outubro de 2025

Uma dissertação de mestrado pode abrir caminhos para o aperfeiçoamento de terapias e técnicas de tratamento contra a leucemia mielóide aguda, tipo de câncer agressivo que afeta as células do sangue e da medula óssea. A pesquisa é desenvolvida pela biomédica sergipana Ana Luiza dos Santos Vasconcelos, aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Imunologia (PPGIm) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A autora, que é formada pelo curso de Biomedicina da Universidade Tiradentes (Unit), investiga a relação do processo de surgimento da doença com possíveis alterações moleculares do sistema genético ABO, responsável pela codificação dos antígenos dos grupos sanguíneos A, B e O. 

O estudo vem sendo realizado no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (Labimuno), ligado ao Instituto de Ciências da Saúde da UFBA (ICS), em Salvador. De acordo com Ana Luiza, o objetivo da pesquisa é avaliar a associação de dois genes que estão relacionados com o processo de ativação do gene ABO com alterações moleculares do prognóstico e imunofenotípicas de indivíduos com a doença, que é um dos tipos de leucemia mais comuns entre os adultos brasileiros, com estimativa de cerca de 11 mil novos casos por ano.

“Alguns estudos já trazem a associação da frequência dos grupos sanguíneos em diversos cânceres e também do possível envolvimento do ABO no desenvolvimento e progressão tumoral, mas ainda é um tema em que a base molecular é pouco explorada nas neoplasias hematológicas”, explica Ana, que também atua auxiliando na rotina do serviço de Onco-Hematologia do laboratório, dentro do setor clínico de Imunofenotipagem. 

A leucemia mieloide aguda surge através do crescimento descontrolado de glóbulos brancos imaturos (blastos) que impedem a produção de células sanguíneas saudáveis. Os casos de LMA são mais frequentes em homens e nas faixas etárias mais elevadas (60-69 anos), e o principal tratamento ainda é a quimioterapia. Os resultados da pesquisa na UFBA podem apontar caminhos e possibilidades de aperfeiçoamento de técnicas para o tratamento da doença. A previsão é de que a dissertação seja defendida até o final de 2027. 

Experiência acumulada

Ana Luiza começou o mestrado neste semestre, mas já se preparava para ele desde meados da sua graduação na Unit. Durante dois anos e meio, ela participou de três projetos de iniciação científica junto ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), através dos laboratórios de Pesquisa em Alimentos (LPA) e de Engenharia de Produção (LEB). O primeiro foi sobre a extração de biomoléculas do tomate a partir de sistemas bifásicos etanólicos. Já o segundo buscou formar um filme biodegradável com Moringa oleifera LAM, com o objetivo de diminuir o tempo de degradação de frutas, a partir de efeitos antioxidantes e antimicrobianos. O terceiro, apoiado pelo Banco do Nordeste, usa cascas de camarão para a montagem de colunas de adsorção que seriam utilizadas com o intuito de tentar remover os poluentes orgânicos e inorgânicos no Rio São Francisco.

“Por mais que eles estivessem um pouco distantes do que eu tinha contato no curso, eu aprendi muito sobre o comportamento dentro do laboratório, a utilização de diversos equipamentos, leitura de artigos e escrita científica. Além de começar a desenvolver o senso crítico e olhar científico para diversas matérias na graduação”, lembra ela, que foi aprovada com louvor no processo seletivo para o PPGIm da UFBA, ainda no primeiro semestre deste ano, a poucos meses da sua formatura. A seleção levou em conta o desempenho acadêmico e as experiências práticas adquiridas durante as atividades de pesquisa e de estágio das quais participou ao longo da sua graduação. 

Criado em 1989, o Programa de Pós-Graduação em Imunologia (PPGIm) é mantido pelo ICS/UFBA e considerado um dos principais programas da área no país, com nota 5 concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Foi nele que a então aluna da Unit decidiu fazer uma das disciplinas de Estágio Supervisionado em Biomedicina, dentro do próprio Labimuno, em Salvador. “Pensei na possibilidade de realizar o estágio na instituição para que eu tivesse um maior contato com outras metodologias e projetos voltados para a área da saúde. Foi uma experiência enriquecedora porque eu não tinha tido contato com tantos equipamentos e com a rotina mais corrida das análises clínicas, descreveu ela, que também acompanhou outros projetos de mestrado e doutorado dos alunos da UFBA. 

Para a sergipana, a vivência das experiências acadêmicas na Unit e na UFBA lhe pavimentou o caminho para chegar ao mestrado antes mesmo da formatura na graduação. “Sem dúvidas, a Iniciação Científica e o Estágio Supervisionado II foram essenciais para a aprovação. Ambos me forneceram uma base sólida para apresentações orais, leitura de artigos e escrita científica, critérios avaliados no processo seletivo do PPGIm. A Unit me possibilitou não só a ida para a UFBA como também a realização da iniciação científica, ambas etapas que foram essenciais para a minha formação. Além de ter tido contato com professores incríveis que me ensinaram muito além da sala de aula, serei eternamente grata a toda essa experiência”, destacou Ana Luiza. 

Autor: Gabriel Damásio

Fonte: Asscom Unit