Formado por 119 povoados e 26 assentamentos com forte potencial rural, o município de Lagarto, situado no Centro-Sul sergipano, possui como uma das principais atividades econômicas a agricultura familiar. Apesar da grande produtividade, com solos ricos para diversas possibilidades de plantações, o trabalho diário do homem e da mulher do campo é fator primordial para que as raízes, frutas e hortaliças cheguem até a mesa do consumidor, garantam o complemento necessário das principais refeições e movimentem a economia agrícola da cidade.
A agricultura familiar em Lagarto é formada por pequenos e médios produtores, que tiram o sustento das suas famílias através do que é cultivado. No município, a predominância dos produtos agrícolas está no cultivo da mandioca, macaxeira, maracujá, milho, acerola, pimenta, entre outros. Além do próprio consumo, são esses agricultores que fornecem, por meio das suas produções, os produtos agrícolas para a região local e circunvizinha.
A depender do tamanho da propriedade e das tarefas de terra, os agricultores também conseguem gerar emprego, fazendo com que mais pessoas também tirem seu sustento através da agricultura familiar, como no caso de Fernando Galileu, 27, um produtor que possui 70 tarefas no povoado Estancinha. A depender do dia, Fernando já chegou a empregar mais de 10 trabalhadores.
“Nós conseguimos gerar empregos. Inclusive, hoje tem pessoas trabalhando aí na roça neste exato momento. A gente trabalha com diária, e a quantidade de pessoas depende do período. Atualmente, estamos no período de plantação e limpeza, então só precisamos de três pessoas. Mas no período de colheita da mandioca, empregamos até 12 pessoas por dia”, comenta o produtor.
Fernando é um jovem que dá continuidade ao trabalho iniciado por sua família e, apesar do trabalho intenso no campo, deixou de trabalhar com carteira assinada para se dedicar à roça. No sítio, suas plantações são voltadas para a macaxeira, mandioca, milho, maracujá e acerola.
“Eu comecei com 18 anos, dando continuidade ao trabalho dos meus tios, pais e avós. Até um dia desses, eu trabalhava de carteira assinada na área comercial, mas o campo traz uma tranquilidade maior, a vida é diferente da cidade, mais tranquila. A agricultura não é fácil, mas quem está no dia a dia, sabe como é prazeroso. Daqui consigo tirar renda através da comercialização de tudo que plantamos. A mandioca a gente comercializa para as casas de farinha vizinhas, especificamente do povoado Brasília. O maracujá é vendido para a feira e para algumas fábricas, a macaxeira é vendida aqui pela região para o consumo, e a acerola, que a gente está começando, também será comercializada na feira”, detalha.
Produção em pequena escala
Além das médias escalas de produção, o município também é composto pela pequena escala, que, apesar do cultivo ser realizado em pequenas propriedades e não gerar empregos, é essencial para garantir o sustento das famílias, além de servir também para a comercialização.
Seu Genivaldo Silva, 57, conhecido como Nivaldo, é um exemplo disso. Ele dá continuidade ao trabalho iniciado pelo seu pai. Nas suas lembranças da infância, a roça é um marco muito forte e presente, pois esse foi o ambiente em que ele cresceu. Sua roça fica localizada no povoado Coqueiro de Baixo, com uma produção de maracujá, milho e macaxeira. O maracujá é vendido para feirantes, e a macaxeira é comercializada descascada para um estabelecimento. Já o milho serve como alimento para os animais de seu Nivaldo.
“Eu trabalho nessa terra a vida toda. Era do meu pai e passou para mim. Desde pequeno, trabalhei com meu pai aqui na roça. Depois que ele faleceu, eu assumi. É daqui que meus filhos foram criados. Eu nunca tive outro trabalho, sempre foi a roça, é o que eu sei fazer. A maior dificuldade para a gente que trabalha no campo é o trabalho pesado, a luta e a venda da produção, que não está fácil, não é muito valorizada no comércio”, pontua o produtor.
Do homem do campo para o homem do campo
O trabalho do agricultor é árduo e inicia com o estudo do solo e conhecimento prévio sobre o que deseja plantar. Para que a colheita seja um sucesso, é necessário saber o tempo correto das plantações e em qual período isso deve acontecer, além das principais técnicas de produção para driblar os grandes desafios do homem do campo: as possíveis pragas e a instabilidade climática, que podem afetar as plantações.
Os agricultores Fernando e seu Nivaldo, que vivem na pele diariamente os desafios do campo, deixam uma mensagem para seus colegas de profissão.
“Às vezes, muita gente da cidade acaba não dando tanto valor ao agricultor, não sabe o que o agricultor passa no dia a dia com o seu produto, que às vezes não tem preço para vender, não tem comércio. Com essa dificuldade, a pessoa só pensa em desistir, mas eu peço que não desista, que acredite na agricultura, especificamente na agricultura familiar, que é a agricultura que leva o alimento para a cidade e para toda a região. Eu tenho orgulho de ser hoje agricultor, de vir de família de agricultores. Meu avô teve casa de farinha e sempre trabalhou na roça, então eu tenho somente orgulho”, disse Fernando Galileu.
“Eu digo que é um trabalho árduo, não é para todo mundo, tem que ter coragem, porque sem coragem e boa vontade não se segue. Mas eu me sinto feliz e bem satisfeito com o que faço”, conclui seu Nivaldo.
Gestão municipal
A Prefeitura de Lagarto, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri), caminha lado a lado com o produtor rural do município. O intuito principal é facilitar a vida no campo, potencializar as produções agrícolas e oferecer todo o apoio necessário. “O agricultor é a força que sustenta o nosso campo e alimenta a cidade. Em Lagarto, reconhecemos o valor de cada homem e mulher do campo e seguimos trabalhando para garantir mais apoio, dignidade e oportunidades para quem faz da terra o seu sustento e o nosso futuro”, reconhece o secretário de Agricultura, Luciano Júnior.