A produção artística nordestina é um dos destaques de Atlântico Sertão, exposição em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). Com mais de 70 artistas de todo o país, a mostra apresenta um expressivo conjunto de criadores da Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Piauí e Sergipe, cujas obras refletem sobre memória, identidade, espiritualidade, território e resistência.
Por meio de pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações, os artistas transformam a arte em instrumento de memória e elaboração crítica em diálogo com os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão”. O Atlântico, marcado historicamente pelos deslocamentos forçados e pela violência colonial, e o sertão, frequentemente associado à distância e à marginalização, são revisitados como territórios de criação, circulação de saberes, resistência e defesa dos direitos humanos.
Entre os artistas nordestinos há representantes de diferentes gerações e trajetórias. Da Bahia, participam Ayrson Heráclito, referência internacional por suas pesquisas sobre memória, diáspora africana e religiosidade afro-brasileira; Juraci Dórea, pioneiro da Land Art no Brasil, com uma trajetória marcada pelo diálogo entre arte e meio ambiente; Nádia Taquary, reconhecida por esculturas e instalações inspiradas em cosmologias africanas.
Outros destaques são Adenor Gondim, Lita Cerqueira, Márvila Araújo, Ventura Profana, George Teles, J. Cunha, Leonardo França, Lucélia Maciel, Marcos da Matta, Rose Afefé, Bysmarke Vaqueiro, Yacunã Tuxá, Zé di Cabeça e os coletivos Zumví Arquivo Afro Fotográfico e Àwọn arákùnrin oníṣẹ́-ọnà mẹ́ta, que ampliam o panorama da produção artística baiana contemporânea.
De Pernambuco, a mostra reúne Tunga, um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, a artista multimídia biarritzzz, que apresenta uma instalação inédita criada especialmente para a exposição, além de Abiniel João Nascimento, Amanda Melo, Ana Neves, Aura do Nascimento, Eliana Amorim, Fykyá Pankararu, Juniara Albuquerque, José Alves e Mitsy Queiroz, artistas que exploram temas ligados à ancestralidade, identidade, corpo e território.
Alagoas está representada por Amilton, Antônio Sandes, Genauro, Gonçalves, Joaci do Pandeiro, Joaci Lima, José Cícero, Mestre Benon e Ziel Karapotó. Parte desses artistas é da Ilha do Ferro, distrito de Pão de Açúcar (AL), reconhecida como um dos mais importantes polos de arte popular contemporânea do Brasil. Às margens do Rio São Francisco, a comunidade consolidou uma produção em escultura e entalhe em madeira, marcada pela inventividade formal e pelas narrativas do cotidiano sertanejo e ribeirinho. Completa esse núcleo Ziel Karapotó, artista indígena do povo Karapotó, cuja obra articula saberes ancestrais, espiritualidade e contemporaneidade. Da Paraíba figuram José Rufino, artista reconhecido por suas reflexões sobre memória e história, além de Luiz Barroso, Marlene Almeida, Rafael Chavez e Thiago Costa.
Do Ceará, integram a exposição Maria Macêdo, com pesquisas sobre identidade, território e pertencimento; Jonas Van, Juno B, SouPixo e Trojany, representantes de diferentes linguagens da arte contemporânea cearense. O Piauí participa com Mônica Barbosa e Naywá Moura, enquanto Sergipe está presente na mostra com Véio, artista conhecido por sua produção escultórica inspirada no imaginário popular e nos elementos da natureza.
Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio, é um artista plástico e escultor autodidata nascido em Nossa Senhora da Glória, Sergipe. Famoso por transformar troncos e raízes de árvores mortas em esculturas que retratam a identidade do sertão, ele mantém o Sítio Soarte (Museu do Sertão) em Feira Nova, com cerca de 17 mil obras.
Outras regiões
Atlântico Sertão amplia as possibilidades de leitura sobre o sertão ao reunir artistas de diferentes regiões do país. Participam Antonio Obá (DF), Dalton Paula (DF), Denilson Baniwa (AM), Rafa Bqueer (PA), Aline Motta (RJ), Jaime Lauriano (SP), Lidia Lisbôa (PR) e Rosana Paulino (SP), entre outros, cujas pesquisas dialogam com temas presentes na mostra como memória, ancestralidade, identidade, relações raciais, território e as marcas dos processos históricos que atravessam a formação do país.
Com curadoria de Ariana Nuala, Marcelo Campos, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade, Atlântico Sertão está estrutura em seis eixos temáticos e ocupa os quatro andares do CCBB São Paulo.
Em cartaz até 3 de agosto, a exposição foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com o apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, Ministério das Relações Exteriores (IGR/MRE) e Museu de Arte do Rio (MAR).
SERVIÇO
Exposição: Atlântico Sertão
Local: CCBB São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Data: até 3 de agosto de 2026
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Gratuito