Médica do HU-UFS alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer de colo de útero

Durante o Março Lilás, a orientação é que as mulheres mantenham a vacinação em dia, realizem exames preventivos regularmente e procurem atendimento de saúde diante de qualquer sinal de alerta.

Por Redação, em 26 de março de 2026

O Março Lilás é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer do colo do útero, realizada justamente no mês em que ocorre o Dia Internacional da Mulher. A finalidade é trazer um alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, para reduzir a mortalidade causada pela doença. 

De acordo com a médica Taísa Cavalcante, especialista em Ginecologia e Obstetrícia que atua no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), na maioria dos casos a paciente não apresenta sintomas. “As lesões precursoras são geralmente assintomáticas e detectadas por meio dos exames de rastreamento. Porém, na doença invasiva, o câncer do colo do útero pode ser indicado por sangramento após a relação sexual ou fora do período menstrual, corrimento vaginal, dor pélvica, dor na relação sexual e, em estágios avançados, insuficiência renal”, explica. 

Incidência

O câncer de colo do útero está entre os mais incidentes entre as mulheres brasileiras e, em muitos casos, pode ser evitado ou tratado com mais eficácia quando identificado nas fases iniciais. Seu principal fator de risco é a infecção por Papilomavírus Humano (HPV), que tem alto risco oncogênico, ou seja, favorece a probabilidade de desenvolver câncer. “Essa infecção persistente leva a alterações celulares progressivas no colo do útero, que podem evoluir para lesões precursoras e lesões invasivas, quando o diagnóstico e o tratamento não são instituídos. Outros fatores de risco atribuídos são o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, imunossupressão, multiparidade (duas ou mais gestações viáveis), uso prolongado de contraceptivos orais e coinfecção com outras doenças sexualmente transmitidas”, detalha a ginecologista. 

Prevenção

Apesar da gravidade, Taísa comenta que esse é hoje um dos cânceres mais preveníveis. “Existem estratégias de prevenção primárias, que conferem uma proteção específica à doença, como a vacinação, além de estratégias de prevenção secundárias, que são as medidas de rastreamento e diagnóstico precoce, como a citologia oncótica e os testes moleculares para detecção do HPV”, informa.

Apesar de prevenível e com altas chances de cura, o câncer de colo do útero é a quarta causa de morte por câncer no Brasil, principalmente entre jovens, por falta de acesso, informação e diagnóstico precoce. “Após o diagnóstico, o tratamento do câncer de colo do útero é determinado com base em alguns critérios, como estágio da doença, tamanho do tumor, diâmetro e fatores individuais da paciente, como idade reprodutiva, infertilidade conjugal e desejo de preservar a fertilidade. As principais modalidades terapêuticas incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo”, complementa Taísa. 

Vacina

Como tentativa de frear a doença, há mais de uma década foi introduzida no Brasil a vacina contra o HPV no calendário infantil. “Foi um avanço no assunto, mas a cobertura ainda segue abaixo do ideal. Agora, o Ministério da Saúde investe em novas estratégias para mudar esse cenário, como a substituição do exame Papanicolau pela testagem molecular para detecção do HPV. Outra novidade é a aplicação de dose única da vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos”, diz a ginecologista do HU-UFS. 

O câncer de colo do útero é mais frequentemente diagnosticado em mulheres com idade entre 35 e 44 anos, sendo que a idade média no momento do diagnóstico é aos 50 anos. Raramente a doença se desenvolve em mulheres com menos de 20 anos. Como as NIC2 ou 3 (lesões de alto grau no colo do útero causadas pelo HPV) são mais frequentes em mulheres em torno de 35 e 40 anos, e o carcinoma invasor é extremamente raro em mulheres com 25 anos ou menos imunocompetentes, a médica orienta que o rastreio comece a partir dos 25 anos de idade. 

Durante o Março Lilás, a orientação é que as mulheres mantenham a vacinação em dia, realizem exames preventivos regularmente e procurem atendimento de saúde diante de qualquer sinal de alerta.