Vozes Lagartenses: A poesia de Assuero Cardoso que nasce em Lagarto e ecoa pelo Brasil

A série tem como principal objetivo fortalecer o reconhecimento ao trabalho de nomes relevantes para a cultura do município.

Por Redação, em 23 de março de 2026

A trajetória de Assuero Cardoso Barbosa é, antes de tudo, a história de alguém que encontrou nas palavras um instrumento de expressão, resistência e pertencimento. Lagartense e filho de Ataíde Cardoso Barbosa e Higino Barbosa do Espírito Santo, Assuero nasceu em 13 de setembro de 1965 e se consolidou como um dos grandes nomes da cultura lagartense e sergipana, como representante da literatura, carregando consigo o orgulho de suas raízes e a missão de dar voz à cultura local.

Desde cedo, a poesia se apresentou como um destino possível. Ainda adolescente, entre os 12 e 13 anos, enquanto estudava na Escola de Primeiro Grau Sílvio Romero, Assuero começou a escrever seus primeiros versos, ao descobrir sua habilidade com as palavras. “Eu nunca fui bom com artesanato, mas o professor de português disse que eu escrevia bem, que sabia fazer poemas. Aí, eu acabei acreditando nisso e segui”, relembra, evidenciando o momento em que passou a enxergar a escrita como vocação.

O incentivo escolar foi o ponto de partida para uma trajetória que não demorou a ganhar reconhecimento. Em 1984, ao participar de um concurso de poesia com o texto ‘Não aceitamos débeis mentais’, dedicado a um amigo, Assuero conquistou seu primeiro prêmio. “Fiquei muito triste com a perda de um colega, o Jerônimo Almeida, e escrevi um poema. Fui classificado e fiquei em terceiro lugar. Daí em diante não parei mais. Jerônimo era conhecido, na época, pelo potencial intelectual que tinha”, conta.

A partir dessa conquista, o poeta passou a trilhar um caminho consistente no cenário literário. Participou de concursos municipais, estaduais e nacionais, acumulando premiações e se destacando como um nome em ascensão. “Com tanto prêmio, a gente acha que está no caminho certo. Mas isso não me envaidece. Pelo contrário, me faz mais responsável pelo que eu sei fazer, que é escrever”, afirma.

Ao longo dos anos, Assuero construiu uma produção sólida, com dez livros publicados e novos projetos em andamento. Seu mais recente trabalho, intitulado ‘Paredes de Poemas’, tem lançamento previsto para abril deste ano, durante as comemorações do aniversário de Lagarto. A obra também é uma demonstração da sua permanência ativa na cena literária e seu compromisso com a arte.

Mais do que escrever, Assuero viveu e vive, intensamente, os movimentos culturais do município. Ele é membro fundador da Academia Lagartense de Letras, ocupando a cadeira de número 2, cujo patrono é o jurista e filólogo Laudelino Freire de Oliveira, além de integrar a Academia Cachoeirense de Letras. Ele também participou de eventos marcantes, como o Festival Lagartense de Música Popular (Flamp), realizado no antigo Cine Glória. Além do Flamp, o artista ainda atuou como intérprete, como concorrente e também como jurado em concursos de poesia.

Sua atuação também esteve ligada a outras importantes instituições culturais, como a Associação Cultural de Lagarto (Ascla), onde acompanhou o surgimento de novos talentos e o destaque da produção artística local. Para ele, esses espaços foram fundamentais para consolidar a identidade cultural do município.

Licenciado em Letras – Português, pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Assuero Cardoso alia formação acadêmica e prática artística. Professor, escritor, poeta e ator, constrói uma trajetória plural e comprometida com a cultura, e sempre faz questão de destacar a importância da iniciativa pessoal. “Eu não acredito muito nessa história de que santo de casa não faz milagre. Eu não esperei o milagre cair do céu. Corri atrás, busquei patrocínio, vendi rifa para publicar meus livros”, revela.

Para o escritor, embora o poder público tenha seu papel no incentivo à cultura, o artista também precisa agir. “A gente precisa de espaço e oportunidade, mas não pode ficar esperando. Tem que lutar pelo que sabe fazer”, afirma. Essa postura ativa contribuiu não apenas para sua realização pessoal, mas também para o fortalecimento da literatura em Lagarto.

Ao longo dos anos, Assuero viu colegas crescerem, publicarem obras e consolidarem seus nomes, ajudando a construir um cenário cultural fértil no município. “Lagarto tem um potencial cultural enorme. Não é à toa que, em todos os concursos que participo, fazem questão de dizer que eu sou de Lagarto, com o maior orgulho do mundo”, destaca.

Professor de língua portuguesa e redação, escritor, poeta e ator, Assuero resume sua essência com simplicidade e firmeza: “Eu sou, principalmente, um artista lagartense”. E é justamente essa identidade que faz de sua voz uma das mais autênticas da Série Vozes Lagartenses. Uma voz que nasce no interior, mas alcança horizontes cada vez mais amplos.

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Esta produção é parte integrante do especial Vozes Lagartenses, que reúne uma série de matérias, em texto e audiovisual, feita pelas equipes de Jornalismo e Marketing da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura (Secult). A série tem como principal objetivo fortalecer o reconhecimento ao trabalho de nomes relevantes para a cultura do município.