O crédito rural concedido em Sergipe chegou a R$ 1,80 bilhão nos 12 meses encerrados em julho de 2026, uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período anterior (quando somou R$ 1,66 bilhão). O avanço foi puxado principalmente pela agricultura familiar, que recebeu R$ 1,05 bilhão por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Foi a primeira vez que a linha ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão no Estado.
Os dados são do Banco Central e reúnem operações realizadas por instituições públicas e privadas. Na comparação com o ciclo anterior, o volume destinado ao Pronaf aumentou 15%, passando de R$ 908,6 milhões para R$ 1,05 bilhão. Com isso, o programa passou a representar 58,1% de todo o crédito rural concedido em Sergipe no período.
Para Marcos Barbosa, Consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, a participação do Pronaf ajuda a dimensionar o peso dos pequenos produtores na movimentação do crédito rural sergipano.
“Os números mostram que a agricultura familiar tem uma participação central no crédito rural de Sergipe. O crescimento do Pronaf indica uma ampliação dos recursos destinados a produtores que dependem do financiamento para custeio, investimento e estruturação da atividade produtiva”, afirma o especialista.
Segundo ele, o crescimento também precisa ser observado em conjunto com as características da produção rural do Estado. “O crédito rural não representa apenas o recurso disponibilizado, mas a possibilidade de financiar etapas diferentes da produção. O comportamento das linhas mostra que há demanda tanto para a atividade produtiva quanto para aquisição de terra, armazenagem e outras estruturas”, diz Barbosa.
Fora do Pronaf, destaques expressivos de crescimento ocorreram no RenovAgro (Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis), que saltou de R$ 1,41 milhão para R$ 10,25 milhões, e no Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF/FTRA), cujos recursos passaram de R$ 3,91 milhões para R$ 9,59 milhões até julho de 2026.
Cooperativismo amplia crédito para o agro
No Sicredi, o crédito destinado ao agronegócio também apresenta crescimento. A cooperativa é a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no país. Para o Plano Safra 2026/2027, o Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões aos produtores rurais em cerca de 340 mil operações, 4,4% acima dos R$ 69 bilhões concedidos no ciclo anterior.
A carteira de crédito agro do sistema soma R$ 121 bilhões. A instituição também prevê R$ 13,3 bilhões para a agricultura familiar e R$ 14,6 bilhões para produtores de médio porte. Segundo os dados apresentados pelo Sicredi, pequenos e médios produtores concentram 88% das operações previstas.
Em Sergipe, a carteira de crédito rural do Sicredi saltou de R$ 22,52 milhões em dezembro de 2024 para R$ 41,89 milhões em julho de 2026, registrando um crescimento de 86%. O apoio ao produtor inclui, além do crédito para custeio e investimento, produtos como consórcios para máquinas e equipamentos, seguros rurais, investimentos e soluções de meios de pagamento.
“O crédito rural tem um papel que vai além do financiamento da produção. Quando o recurso chega ao produtor, ele movimenta toda uma cadeia econômica, gera renda no campo e contribui para a permanência das famílias na atividade rural. Também é um instrumento importante para a produção de alimentos e para a segurança alimentar, porque fortalece quem está diretamente envolvido na produção. Apoiar essas pessoas é também contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado e para a sustentabilidade das comunidades rurais”, afirma Marcos Barbosa.