Patrimônio de Estância, a Centenária Lira Carlos Gomes contribui com a formação de cidadãos

Por Secom/ Estância

Publicado em 04/10/2018 as 19:24

Fundada em 3 de outubro de 1879, a Associação Musical Lira Carlos Gomes é uma instituição artística, literária, recreativa e sociocultural sem fins econômicos que vem difundindo a arte musical em seus 139 anos de atividades ininterruptas com apresentações em atos religiosos, civis e populares. Atualmente conta com 50 músicos regidos pelo maestro Claudemiro Xisto e tem como presidente o também músico José Félix.

De acordo com o presidente da Lira, José Félix, as apresentações vão além dos eventos em praça pública nas datas comemorativas da cidade, pois, também vão para outras cidades do Estado, assim como fora dele, a exemplo do renomado 1° Campeonato Nacional de Bandas, realizado no Rio de Janeiro pela rede Globo, na década de 70, quando obteve destaque ficando em 4° lugar a nível Norte/Nordeste e 9° a nível Nacional. Sr. José Félix, que em seus 86 anos de idade, destes, quase 80 ligado a música e 24 que está presidente da Lira, destaca que cada apresentação sempre lhe desperta uma nova emoção, porque considera que cada evento tem a sua representatividade, por isso diz que é difícil falar especificamente de apenas um que o emocionou, mas, ele salienta que não esquece que foi em abril de 1948 que iniciou a aprendizagem musical e em 7 de setembro do mesmo ano que estreou tocando numa banda filarmônica tocando clarinte.

"Naquele 7 setembro 1948 foi emocionante para mim e uma admiração para todos pelo curto período de aprendizagem, e naquela apresentação não foi apenas um número, e sim, 4. Lembro-me como hoje: o Hino Nacional, Saudade da Minha Terra, Campo Osório e 220. Todas de cunho cívico. A música para mim é tudo. Sempre procuro dar o melhor de mim fazendo tudo que é possível. Sinto-me satisfeito por estarmos em plena atividade instalados numa sede própria. Além disso, não posso esquecer do nosso corpo musical, composto por pessoas competentes, honestas e que cultivam o respeito mútuo que reflete numa sintonia que é essencial. Por isso, não temos receio de nos apresentarmos em lugar nenhum porque independente se irão todos os músicos o que vamos tocar é certinho. É na música que vejo força nesses meus 86 anos de idade e só saio daqui se me botar para fora, mesmo assim não saio da porta”, comentou com um sorriso, o presidente da Lira, José Félix.

Em janeiro deste ano, a Lira Carlos Gomes foi eleita a 1ª das “Sete Maravilhas de Estância” considerada componente do patrimônio histórico-cultural e de valor natural da cidade, após eleição (consulta pública on-line) entre as 22 opções de voto indicadas pela sociedade civil organizada. Para o maestro Claudemiro Xisto, a eleição popular foi muito gratificante e todos se sentem orgulhosos por isso. “Na verdade, sempre consideramos a Lira um grande patrimônio cultural e essa eleição veio só afirmar isso. Somos uma grande família e a cada apresentação encaramos como um desafio porque sempre queremos dar o nosso melhor, por isso, ensaiamos para que não tenhamos falhas e assim apresentemos um bom trabalho”, salientou o maestro.

O músico Carlos Alberto Fiel de Oliveira está na Lira há 30 anos. Quando iniciou em 1988, tocava trompa e atualmente além de integrante da filarmônica é professor de teoria e prática para as crianças ingressas na instituição. “A Lira representa tudo para mim. Faz parte da minha vida e é uma extensão da minha família. Ingressar na Lira Carlos Gomes foi a decisão mais acertada que tive. Além dos momentos de emoção, me proporcionou viajar para tantos lugares”, disse. Da mesma foma comentou Alex do Carmo Oliveira, conhecido como “Léo”, que também é músico da Lira Carlos Gomes. Ele iniciou na banda tocando saxofone, e lá se vão 23 anos de profissão. “Foi na Lira que onde conheci as notas musicais, aprendi a tocar um instrumento com o maestro “Xisto”, e foi onde abriu várias portas no mercado musical, pois, trabalhei em algumas bandas de Aracaju e hoje, sou professor da Lira”, disse.

A funcionária da Guarda Municipal de Estância (GME) Ana Cláudia dos Santos Lima está há 20 anos na Lira. Em 2011 criou na corporação a banda marcial que atualmente é composta por 15 ritmistas. Ela conta que a Lira representa tudo em sua vida, pois, além do que lhe proporcionou como profissional, possibilitou torná-la um ser humano melhor, mais organizado e comprometido com a sociedade. “Vejo a Lira como uma família, além da minha de sangue. Também foi lá que constituí a minha, onde conheci meu esposo há 18 anos. Temos 1 filho com 9 anos, inclusive, por vontade própria, desde o final do ano passado ele ingressou na banda e coincidentemente, hoje já toca clarinete, o meu instrumento base. Tudo isso só fez fortalecer o fortalecer o meu vínculo na Lira. Gosto e me sinto bem ao participar dos ensaios, das reuniões em que discutimos as viagens, as tocadas na cidade e, principalmente os encontros de bandas, oportunidade em que reencontramos amigos e também fazemos novas amizades com pessoas da mesma profissão. É sempre uma emoção à parte participar de cada apresentação”, destacou.

A Lira Carlos Gomes vai além da formação profissional musical o que a torna reconhecida nacionalmente pelo seu relevante trabalho por formar profissionais que se destacam no meio artístico, enaltecendo assim o nome da instituição, desta forma, tem contribuído de forma significativa na formação de músicos, inclusive desde a infância com crianças a partir dos 8 anos de idade, além do trabalho social de acompanhamento das crianças junto aos pais com a realização de palestras com equipe de pedagogos e assistentes sociais sobre diversos temas. Desta forma, a Lira Carlos Gomes consequentemente vai além de contribuir com o conhecimento musical, possibilita a transformação e desenvolvimento da cidadania plena, estimulando as futuras gerações através das relevantes atividades proporcionadas, na qual a sede da banda torna-se uma extensão da família. Quanto aos ensaios, os teóricos acontecem durante a semana (terças às sextas) com os professores Carlos Alberto e Alex Oliveira nos períodos manhã e tarde, respectivamente; e os ensaios práticos com o maestro Claudemiro Xisto às terças, quintas e sábados no turno da noite.