Pobre esporte sergipano

Por Carlos Batalha

Publicado em 07/02/2019 as 11:30

O esporte, em especial o futebol, é o maior veículo de comunicação entre os povos.

Por meio do esporte, nações paralisam guerras, rivalidades são esquecidas momentaneamente, inimigos ferrenhos se cumprimentam dentro de uma quadra, um campo ou uma piscina, e até os cânticos dos hinos nacionais são respeitados por nações contrárias.

Pois bem. Enquanto esses exemplos nós presenciamos pelo mundo afora e sempre vendo o apoio e o estímulo das autoridades governamentais e de empresários, aqui em Sergipe a situação é bem diferente. O nosso estado possui um grande potencial desportivo mas que tem que se valer dos esforços de alguns abnegados que por muitas vezes sustentam e mantém das suas próprias economias a prática esportiva de um atleta individual ou até mesmo de uma equipe para a prática do esporte coletivo.

Com raras exceções, e não cito nomes aqui para não cometer injustiças, os nossos empresários não veem no patrocínio ao esporte uma maneira sadia de promover às suas respectivas empresas, preferindo dar dinheiro ao leão com o pagamento do imposto de renda quando poderiam ao patrocinar um atleta ou equipe, contar com o abatimento no pagamento do seu tributo.

Quando o apoio deveria vir de órgãos oficiais aí a situação é pior. 

No caso específico da falta de apoio  do Governo do Estado ao nosso esporte, o Governador Belivaldo Chagas está pessimamente assessorado e orientado, e tenho certeza que não por quem entende da área e é um grande desportista. Me refiro a Antonio Hora Filho, profissional de grandes serviços prestados ao nosso esporte e que deve estar doente com toda essa situação.

O nosso esporte amador que já teve o Bolsa Cartão Banese na nossa gestão à frente da Secretaria de Estado de Esporte, quando 54 atletas de 27 modalidades esportivas recebiam mensalmente um salário como ajuda de custos já não conta mais. Patrocínios com viagens para disputas de competições nem pensar, construção ou reforma de praças esportivas deixou de existir e dessa forma o incentivo ao surgimento de novos atletas acabou.

É sempre bom lembrar que o esporte é o meio mais fácil e prático de se tirar ou evitar o convívio dos jovens com as drogas.

Afirmo sempre que é muito mais barato construir uma quadra esportiva do que ampliar presídios para abrigar traficantes de drogas ou construir manicômios para receber drogados.

FUTEBOL POBRE

Se no esporte amador a situação é de penuria, no futebol profissional a situação não é diferente.

Enquanto em estados vizinhos como Alagoas e Bahia governos investem e apoiam o nosso principal esporte, aqui em Sergipe, o atual campeonato só está acontecendo graças a alguns corajosos dirigentes a exemplo de Carlisson e Genisson Silva, Reinaldo Moura, Alberto Nogueira, Iago França, BA e outros, e principalmente um guerreiro chamado Milton Dantas, presidente da Federação Sergipana de Futebol, que trabalha e respira 24 horas o nosso principal esporte.

Afirmo sem medo de errar que o campeonato de 2019 só está acontecendo pela fibra e coragem de Miltinho que luta até mesmo pela manutenção dos principais estádios, responsabilidade exclusiva do Governo do Estado.

Paulo Barreto em Lagarto interditado. Etelvino Mendonça em Itabaiana na mesma situação, e o Batistão, que segundo palavras do próprio Miltinho lhe fez passar vergonha no último domingo com a transmissão para o Brasil do jogo Sergipe x Confiança com a péssima qualidade do gramado, com o presidente recebendo telefonemas de várias partes do país comentando a situação. Será que não existe dinheiro para adubar e molhar adequadamente o gramado?

Governador. Com todo o respeito e admira-ção que sabe que nutro pelo senhor. O futebol aproxima o povo do político. Os exemplos são vários. Não ouça apenas tecnocratas ou burrocratas que querem mostrar números e cortes de despesas para lhe agradar. Uma boa equipe deve ter criatividade para sair de crises. Todos sabem da história do sofá que o marido jogou fora para se livrar das visitas incômodas que chegavam na sua casa. Querer se livrar dos estádios ou simplesmente abandoná-los não é a solução. Tem que se olhar o social. Hoje milhares de pessoas dependem do nosso futebol.

Ideias existem, soluções também. É só querer e saber colocá-las em prática.