Saques nas contas inativas do FGTS: o que realmente espera o Governo? Por Karolyne Costa.

Publicado em 22/02/2017 as 13:02

Olá amigos, jogo rápido. A partir de hoje, todas as terças estarei neste portal falando sobre análise econômica. O objetivo principal é levar aos caros leitores um breve, mas funcional conhecimento sobre os temas econômicos que fazem parte do nosso dia-a-dia, no Brasil e no resto do mundo. Todos nós sofremos algum tipo influência em nossa formação, seja ela política ou econômica, quando passamos a acompanhar de perto os acontecimentos, com a dinâmica que nos permite a plataforma digital temos a oportunidade de contribuir para que esta influência acesse a formação de pensamentos e opiniões de outras mentes. Fico feliz que aos meus 28 anos possa levar conhecimento agregativo a tantas pessoas, mas acima de tudo de escrever sobre aquilo que me deu uma profissão e carreira: a economia! Espero que apreciem a leitura.

 

Saques nas contas inativas do FGTS: o que realmente espera o Governo? Por Karolyne Costa.

 

Em meio ao caos econômico em que se encontra o país, eis que há alguns meses parte dos trabalhadores desta nação, que sofrem até mesmo com a incerteza do pagamento de seus salários ao final do mês, passaram a viver momentos de ansiedade a espera da liberação dos saques de seus FGTS, guardados em contas inativas da previdência, para o qual o Governo Federal estabeleceu um calendário de liberação com datas a partir de 10 de março e que seguem até julho, deste ano, conforme mês aniversário de cada cidadão. Segundo dados apresentados pelo Ministro da Fazenda, Meirelles, calcula-se que serão injetados na economia cerca de 39 bilhões, dos 43 bilhões que estão disponíveis nas contas inativas do fundo de garantia e os quais rendem menos que a própria inflação, anualmente. Este tipo de política econômica, segundo parece, é oferecido como parte de um pacote de medidas a longo prazo do Governo que objetivam a geração de empregos e renda, medidas que se completarão com a junção de outros pontos, a exemplo, das reformas que vêm sendo propostas, como a da previdência. Do entendimento a curto prazo, o governo demonstra que planeja com estes saques alavancar o produto econômico, por meio do incentivo do consumo das famílias, da quitação das suas dívidas junto às empresas e a possível formação de poupança. É considerável que a maior parte deste valores pertencem a um quantitativo dos 220 milhões de brasileiros que estão distribuídos nas classes C, D e E e que representam, de fato, 85% da população brasileira. Sendo que a maior parte dos valores disponíveis são inferiores a R$ 1.500,00. Ao que parece a liberação dos valores inativos no FGTS pode ser encarada como uma medida emergencial, que pretende injetar logo no início do ano, período em que a maior parte da população está presa aos pagamentos de taxas e obrigações, um fôlego extra para economia. Propondo assim, a desaceleração do impacto negativo previsto para o PIB, cuja previsão para o primeiro trimestre de 2017 é de recuar 0,73%, comparando-o ao ano de 2016, segundo o boletim Focus.  É muito difícil para qualquer economista, mensurar, como afirma o Governo, se o impacto do que chamaremos de choque de demanda será positivo. Esta mensuração é ainda mais complicada por se tratar da análise de como uma política de curto prazo, que depende fatalmente da rotatividade conduzida pela efetiva diminuição dos estoques será decisiva para incentivar o investimento e assim balizar a política de longo prazo que vem sendo ensaiada. Um consenso geral para a classe é que o investimento é a variável chave para que se demande crescimento econômico, mas como em todas as áreas não há um ponto de vista singular sobre como se deve estimular efetivamente esta variável, sendo diversificados os caminhos que apontam as diversas escolas econômicas, desta forma é ampla a discussão sobre qual destes pensamentos é o correto para o caso brasileiro. Aqui apenas, limitamos-nos na melhor forma de entender qual é o objetivo desta política econômica que pratica as autoridades brasileiras. Obviamente pelo que vem sendo divulgado está claro a intenção de estimular o investimento por meio do setor privado, com redução da participação do Estado, transferindo responsabilidades às empresas de produzir as condições necessárias no ambiente econômico para que se eleve a produtividade do capital e do trabalhador, a longo prazo, já que estes para Teoria Econômica são fatores fundamentais para o aumento do Produto Interno.

  Por fim, cabe-nos apenas ressaltar que são fortes os argumentos encontrados na análise econômica geral, que poderiam ser utilizados para questionar e rebater as medidas tomadas, principalmente se os mensurarmos na ótica que considera perda de direitos. Acredito porém, que olhando profundamente os exemplos da história econômica brasileira, principalmente quando se trata de períodos de crise econômica perceberemos o quão difícil é acertar a longo prazo as políticas corretas a serem seguidas, mas não por isso deve abster-se de planejá-las e executá-las. No uso do bom senso sabemos que  por mais previsões e opiniões que se possam emitir, somente a ação do tempo será capaz de expor se a medida será eficaz ou não para o momento e quais destas análises baseadas na realidade ou teoria realmente serão coerente com os resultados que o futuro apresentará. À medida que a nação prepara-se para realizar seus saques resta ao corpo técnico do governo aguardar, torcer e conferir os índices que virão, somente eles escreverão a página do certo ou do errado.




Karolyne Costa

Economista com mestrado em desenvolvimento regional e gestão de empreendimentos pela UFS, professora voluntária de Economia Brasileira no curso preparatório da Anpec do DEE/UFS. Consultora Financeira e Assessora Parlamentar.