A esperança que nos acompanha.

Karolyne Costa

Publicado em 28/09/2017 as 13:04

Em 2018 existe a leve esperança de que o Brasil cresça cerca de 2%, apesar de não ser a porcentagem desejada por todos, isso reflete que depois de alguns longos anos de profunda recessão o país conseguirá passar por uma das mais fortes crises econômicas vividas. Forte não somente no sentido que dizem os números da economia, mas porque crescerá mesmo quando o país ainda enfrenta uma acentuada crise política que compromete o desenvolvimento de toda nação.

Crises econômicas são comuns na história da economia brasileira. Passamos pela crise do café, do preço do petróleo, da inflação e outras tantas, que vêm em ciclos intercalados. No atual momento para entendermos na análise econômica a crise econômica que vivemos, primeiro precisamos entender que ela, antes de tudo, é uma crise política, que tem demonstrado a fraqueza das nossas instituições.

Em um sentido mais social que econômico podemos traduzir instituições como componentes de ações organizadas na sociedade, as quais definem “regras” ou “institutos” capazes de nortear o que os indivíduos podem ou não fazer, se eles devem ou não e se poderiam ou não fazer, por isso podemos dizer ainda que as instituições são como instrumentos reguladores de relações sociais ou que a instituição serve para guiar o sistema econômico. O mercado é reflexo de uma construção social e todas as peculiaridades nela envolvidas.

A inclusão social depende da força e da eficácia das instituições deste país. Este é um ponto que deve ser entendido por todos os indivíduos, não importando de qual grupo social ele faça parte. Quando os indivíduos coletivamente ajudam a fortalecer as instituições de seu país eles contribuem para o fortalecimento e desenvolvimento do mesmo, enquanto nação.

O que notamos além desta falta de sincronização dos grupos é que no âmbito do cumprimento de algumas regras pelos diversos sistemas sociais, principalmente o sistema político, as nossas instituições têm, sem dúvidas, demonstrado certa fragilidade. É preciso de alguma forma corrigi-las, talvez repensando-as no campo de uma ampla reforma, que deve ocorrer para atender os anseios de uma nova ordem social.

Lembre-se: no próximo ano o mercado financeiro parece estar se preparando para um aquecimento econômico, com uma expectativa de inflação controlada, crescimento mais acelerado e taxa de juros com um dígito, o que provavelmente criará um quadro perfeito para o incentivo a geração de emprego e de investimento.

Se isso se concretizar o Brasil voltará a crescer economicamente, mas socialmente ainda será necessário repensar as instituições como resultado de um processo contínuo de mudanças nos hábitos mentais dos indivíduos, quando entendermos isso, então encontraremos o equilíbrio para manter a longo prazo tanto o desenvolvimento econômico como o social.


Karolyne Costa

Economista com mestrado em desenvolvimento regional e gestão de empreendimentos pela UFS, professora voluntária de Economia Brasileira no curso preparatório da Anpec do DEE/UFS. Consultora Financeira e Assessora Parlamentar.