Dia Internacional Contra a LGBTIfobia - Projeto de Colégio estimula a inclusão de pessoas LGBTQI+ no ambiente escolar

Por Ascom/Seed

Publicado em 17/05/2019 as 11:39

Com intuito de combater o preconceito e a evasão de alunos LGBTQI+ na escola, o Colégio Estadual Maria Rosa de Oliveira, localizado em Tobias Barreto, criou um projeto para estimular o respeito à diversidade dentro da instituição. A iniciativa partiu de uma inquietação da professora de redação, Margarida Araújo, e hoje tem ajudado estudantes a serem protagonistas de suas vidas e de suas formas de ser e estar no mundo.

O projeto tem como estratégias o esclarecimento de assuntos como orientação sexual e identidade de gênero através de palestras e debates que depois se transformam em temáticas de redações em sala de aula. Além disso, o Colégio também criou uma comissão de frente no desfile de 7º de setembro apenas com alunos gays, lésbicas, transexuais e outros. A iniciativa também propõe não só debater o assunto com os alunos, mas também com os pais com o objetivo que eles sejam acolhidos em casa e na escola.

A professora Margarida explica que quando começou a dar aula na instituição notou que muitos alunos LGBTs não conseguiam terminar o Ensino Médio. “Eu notei que havia pouca inserção de pessoas gays e transgêneros, então eu conversei com a antiga diretora e juntas buscamos uma solução para aquele problema, naquele momento e resolvemos que a nossa comissão de frente da banda seria toda composta por eles”, afirma.

Ela conta ainda que há 3 anos, uma aluna foi alvo de lgbtifobia na escola e que após isso, ela decidiu ampliar a ideia, e inscreveu o projeto “Convivência e Dificuldades do Transgênero no Colégio Estadual Maria Rosa de Oliveira” na Feira Estadual de Ciências, Tecnologia e Artes de Sergipe (CIENART) e a partir disso o acolhimento e os debates começaram.

O aluno João Paulo Oliveira, que é participante do projeto contou que na escola em que estudava sofria muito preconceito e que no Colégio Maria Rosa a inclusão e aceitação foi muito maior. “Eu confirmo com todo o meu coração que é um dos colégios que tem mais respeito com pessoas LGBTs. Ela é a nossa base”, ressalta.

Ele conta ainda que durante o Ensino Fundamental sonhava em concluir o Ensino Médio no Colégio, principalmente por ter tido conhecimento do projeto do desfile. “Já sofro bastante preconceito nas ruas e em outros lugares e ainda sofrer no lugar que a gente procura o conhecimento? Foi a partir daí que vim estudar aqui”, expõe.

Outro estudante que se beneficiou com o projeto foi Wendel Gama, ele também contou que passou por muitas dificuldades na escola anterior. “O preconceito é gerado através da falta de conhecimento, quando eu vir para cá me ajudou muito. Eu me sentia triste, sentia que ali não era o meu lugar e quando eu vir para cá percebi que era uma coisa diferente”, afirma.

O projeto ultrapassou também os muros da escola, além do Cienart os alunos e a professora Margarida já foram convidados por outras escolas da Rede Estadual para expor suas experiências com a iniciativa e debater sobre os temas em questão.

A professora Margarida conta com emoção que muitos dos alunos LGBTs que passaram pela escola, hoje estão conseguindo sucesso. “Nós temos alunos aqui que hoje fazem design gráfico na Universidade Federal de Sergipe, outro que faz mestrado na Unicamp, e que graças a essa inclusão da escola, eles conseguiram permanecer no meio educacional”, detalha.

Em virtude do dia 17 de maio, Dia Internacional do combate a LGBTIfobia a professora Margarida ainda completa “quero que a sociedade os veja, que dê oportunidade, não olhem só o estereótipo, mas olhem o que elas têm para oferecer. As pessoas precisam entender que todos nós temos os mesmos direitos e somos iguais”, conclui.