Secretaria de Educação se soma ao Ministério Público do Estado em seminário de promoção da igualdade étnico-racial

Por Ascom/ SEED

Publicado em 03/12/2018 as 13:31
Fotos: Maria Odília

Discutir estratégias de educação acerca das relações étnico-raciais e de gênero na rede estadual de ensino e disseminar a cultura dos Direitos Humanos para os alunos da escola pública. Com essa proposta, a Procuradoria-Geral de Justiça, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seed) e Secretaria da Educação de Aracaju, promoveu nessa sexta-feira, 30, o Seminário “Equidade étnico-racial: avanços e desafios”.

O evento, destinado a professores da rede pública de ensino e a membros e servidores do Ministério Público do Estado de Sergipe (MPSE), foi realizado por meio da Escola Superior e da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (COPIER/MPSE), no auditório da sede da instituição, em Aracaju.

Procurador-Geral de Justiça, Eduardo Barreto D’Ávila Fontes destacou, ao abrir oficialmente o evento, a necessidade de lembrar, sempre, que todos os seres humanos são iguais. “Assim, ressaltamos a importância de estabelecermos parcerias com outros órgãos do Estado para discutir temas de extrema relevância, como o é o da igualdade étnico-racial, que debatamos aqui neste seminário”, afirmou o procurador.

Em sua programação, o evento incluiu, também, discussão acerca de mecanismos de superação dos problemas de violência nas escolas e de ampliação da compreensão dos operadores da escola sobre a violação dos Direitos Humanos no ambiente de ensino, além da apresentação de experiências pedagógicas e metodológicas bem-sucedidas na política de aplicação das leis relativas à temática proposta.

Antes da palestra principal, que foi ministrada pelo professor Zezito Araújo (Universidade Federal de Alagoas), os participantes contemplaram um curto espetáculo de dança do grupo UM QUÊ DE NEGRITUDE. Formado por alunos do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, o grupo, suas montagens, divulga a cultura afro-brasileira por meio de expressões artísticas e promove reflexões sobre o racismo e o preconceito racial na sociedade.

Ao lado do Procurador-Geral de Justiça, o professor Josué Modesto, secretário de Estado da Educação, afirmou que, mesmo anos após a abolição da escravidão, se faz necessário um trabalho de reconstrução cultural e, deste modo, “a escola tem um trabalho longo a ser feito, no sentido de mostrar que a sobrevivência de desqualificação de seres humanos tem muito a ver com a longa história da escravidão no Brasil”.

“Esperamos que essas afirmações sejam cada vez mais efetivas em nossas escolas. Esse evento chama atenção para a importância e riqueza da herança afro-indígena, para a dignidade que todo ser humano tem, que culturas diferentes contribuem para formação da sociedade brasileira. É muito importante perceber que, historicamente, alguns segmentos sociais ficaram excluídos do acesso à educação no Brasil, e que o resgate da sociedade brasileira passa pelo efetivo acesso à educação de qualidade, que de fato seja libertadora para todos os educandos”, afirmou o secretário Josué Modesto.

Socialização

De acordo com a professora Ana Lúcia Muricy, diretora do Departamento de Educação da Seed, a pasta desenvolve, de forma permanente, um conjunto de ações que visam à implementação das leis que tratam das questões étnico-raciais. “Neste sentido, após a realização de várias audiências, surgiu a ideia de, no mês da Consciência Negra, promovêssemos um seminário em que a Seed e Semed/AJU apresentassem ações e compartilhassem experiências exitosas desenvolvidas em suas respectivas redes”, explica a gestora.

Historiador e professor universitário, Zezito Araújo tratou, em sua conferência, da formação histórica e social do Brasil a partir do referencial da desigualdade, que, como explicou, tem como marca, em um primeiro momento, a origem étnica e, num segundo momento, o racismo. “O objetivo é fazer com que o professor tenha compreensão de que o racismo é um elemento que provoca todo tipo de desigualdade, tanto social quanto educacional”, destacou.

A professora Josevanda Franco, diretora do Serviço de Educação em Direitos Humanos (SEDH/DED/Seed), apresentou aos participantes do seminário o “Manual de Orientação de Elaboração de Projetos de Promoção da Equidade”, um documento que busca instigar os professores a perceber as potencialidades que a escola tem para tratar das relações étnico-raciais.

Ainda na programação do evento, as professoras Adriane Damacena (técnica pedagógica da Seed) e Maíra Nascimento (da Secretaria da Educação de Aracaju) apresentaram ações desenvolvidas pelas respectivas pastas relativas à temática do seminário.