Segurança de seguradora pirata agride equipe de reportagem

Por Marcio Rocha

Publicado em 19/12/2017 as 23:09
Imagem de internet

Já não basta as empresas de “proteção veicular” comercializarem um produto que é proibido no Brasil, pois não possui regulamentação feita pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), os limites do bom senso foram desrespeitados por representantes do mercado marginal de proteção automotiva, uma empresa chamada Aliança, sediada supostamente em Minas Gerais. Uma equipe de reportagem da TV Atalaia foi agredida enquanto acompanhava clientes presumivelmente lesados pela empresa Apvese, em Aracaju, Sergipe, na tarde de sexta-feira (15), na sede da empresa.

Um homem identificado como Josenildo Martins, foi acompanhado de um jovem identificado com Elias Ribeiro, cliente que se disse lesado pela empresa de proteção veicular Apvese, em posse de uma procuração, na intenção de resolver o problema, que teve seu veículo sinistrado e transferido para um terceiro após lograr o veículo da vítima, revendendo o mesmo, que sofreu uma perda total, sem nenhuma explicação para o proprietário.

O jornalista Miro Ribeiro foi até o local, na rua Porto da Folha, em companhia do motorista Allan Mello, para fazer a cobertura jornalística do fato, quando ao tentar entrar na casa onde funciona a Apvese, foi empurrado com força e tomou um golpe com o ombro, que atingiu seu braço que segurava a câmera com a qual fazia a reportagem cinematográfica, derrubando o equipamento, desferido por um homem de porte forte que exerce a função de segurança do local. Miro e Allan foram expulsos do local com truculência e brutalidade.

Segundo a matéria exibida pela TV Atalaia, o homem exibiu uma arma de fogo do tipo pistola para os profissionais de imprensa que tentavam acompanhar as vítimas do conhecido “golpe do seguro pirata”. O jornalista Marcos Couto acionou a polícia após a agressão, mas não houve apoio policial para os jornalistas agredidos pelo segurança.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de Sergipe (Sincor-SE) se solidarizou com a equipe da TV Atalaia diante da agressão sofrida quando da reportagem sobre o cliente que foi lesado pela empresa de seguro pirata.

“Lamento muito o que aconteceu com a equipe de reportagem da TV Atalaia, uma empresa que mantém o compromisso com a verdade e coerente com os profissionais regulares da corretagem de seguros. Aproveito para lembrar que que existem ações do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual contra a atuação irregular dessas associações de proteção veicular que, como visto na matéria exibida com coragem pela TV, mesmo com a agressão à equipe de reportagem, podem trazer sérios prejuízos aos consumidores”, disse.

Melo lembrou que o homem que acompanhou a vítima do golpe do seguro pirata foi pesquisado na Susep e identificado que não é corretor de seguros. O presidente do Sincor lembrou que seguros só devem ser contratados com corretores, pois são os profissionais que tem a prerrogativa legal de execução do serviço.

“A pessoa que se apresenta como corretor de seguros, em pesquisa preliminar, não consta como autorizado pelo Ministério da Fazenda, através da Susep, para atuar com essa prerrogativa. É de extrema importância que qualquer tipo de seguro seja contratado através do corretor de seguros. Reiteramos o compromisso do Sincor e dos corretores de seguros sergipanos em ofertar, em conjunto com as seguradoras autorizadas a atuar no setor, as melhores opções para que a sociedade possa proteger suas famílias, suas conquistas e planejar seu futuro. Ressalto que associações de proteção veicular são serviços irregulares, ilegais e que estão à margem da lei, trazendo milhões de reais em prejuízos para consumidores de todo o Brasil, que são enganados e só descobrem quando precisam do serviço”, afirmou.