O tocador de piano

Por Carlos Batalha

Publicado em 02/10/2017 as 23:09

Certa feita, ao final da década de 70, a equipe da Associação Desportiva Confiança foi jogar em uma cidade do sudeste brasileiro pelo Campeonato de Futebol.

O time proletário saiu de Aracaju acompanhada por vários radialistas e jornalistas, escalados pelos seus respectivos órgãos de imprensa, para a cobertura do jogo.

Chegando ao destino, como era de praxe, a direção do time proletário e os jornalistas, foram recepcionados pela diretoria local. Um dirigente da equipe que enfrentaria no dia seguinte o nosso Confiança,, convidou-os para uma recepção em sua própria residência.

Lá chegando, os nossos representantes encontraram um clima acolhedor (até demais), e logo foram ficando a vontade, batendo papo, dando gostosas gargalhadas e saboreando um delicioso whisky escocês, coisa não muito comum à época.

Dentre os jornalistas, um parece ter chamado mais a atenção da anfitriã, que também embalada pela bebida, lá para umas tantas o convidou para conhecer o interior da residência, ao tempo em que pedia ao marido que tocasse algumas músicas em um belo piano de calda que estava em um canto da sala, para distrair os demais convidados.

Tomada a atitude, a solícita dona da casa esticou a mão e puxando o nosso jovem representante da imprensa, sumiu casa a dentro.

Após um considerável tempo, os convidados começaram a ouvir alguns sussurros, sussurros estes que o dono da casa tratou logo de cobrir, não só teclando mais forte no piano, como também aumentando ainda mais o som da sala, cantando uma música em tom muito alto e com voz de barítono.

Ao fim da noite, todos saíram satisfeitos, o dono da casa também, e a anfitriã muito mais ainda.

Para os dias que se seguiram o que houve foi a tradicional resenha entre os jornalistas. Que noite....