Carona fatal!

Por Carlos Batalha

Publicado em 09/09/2017 as 21:28
Foto: reprodução/Google

O futebol sergipano já foi rico em grandes dirigentes de clubes, os chamados cartolas. Correndo o risco de cometer algum deslize de esquecimento, cito aqui alguns deles. Eduardo Abreu, Manuel Gonçalves, Aerton Silva, Marcos Prado, José Queiroz, Motinha, Flávio Primo, Rubens Chaves, Alceuá Gonçalves, Wellington Mangueira,Cássio Barreto e outros.

Esses dirigentes em épocas passadas, 60, 70, 80, e até a década de 90, fizeram muito pelo futebol sergipano, inclusive aprontando poucas e boas com os adversários, fora dos gramados.

Na época romântica do nosso futebol, tinha que se saber jogar muito fora dos gramados. Armadilhas eram preparadas, arbitragens de fora eram contratadas, belas meninas de programas eram usadas às vésperas de partidas decisivas, macumbas eram colocadas nas esquinas, e enfim. Para se ganhar um título ou até mesmo uma partida importante, tudo ou quase tudo era válido, inclusive blefar.

Certa feita, meu querido amigo Aerton Silva era presidente do Sergipe, e o também meu amigo José Queiroz era dirigente do Itabaiana. Às vésperas de uma importante partida entre os dois clubes, o mais querido precisava ganhar, só que o tricolor possuía uma boa equipe e um excelente goleiro (vou preservar o nome).

Sabendo das dificuldades que teria para vencer o jogo, Aerton Silva armou uma.

O escritório do presidente do Sergipe era na Rua Itabaianinha, e o de Queiroz na Rua Laranjeiras, ficando portanto a uns 300 metros um do outro. Sabedor que os jogadores itabaianenses frequentavam o escritório do seu dirigente, Aerton conseguiu descobrir o horário que o goleiro do tricolor chegaria na rodoviária velha, também ali próximo, ficou parado estrategicamente próximo ao local, e quando o goleiro desceu, lhe foi oferecida uma carona. Inocente, o arqueiro aceitou, e antes de deixá-lo no destino, o presidente do Sergipe deu uma pequena volta pelo centro da cidade, o bastante para que todos vissem (como detalhe, Aerton à época possuía um reluzente dodge dart amarelo) e não tinha como não ser visto.

Resultado. O fato chegou ao ouvido de José Queiroz, que irado determinou que o goleiro fosse sacado da equipe, e no domingo, para alegria do astuto Aerton, o Sergipe ganharia a partida. Bons tempos.