PAIXÃO X BOM LAURO

Por Carlos Batalha

Publicado em 07/08/2017 as 13:06

Eleições municipais de 1988. Em Aracaju, acontecia um dos pleitos mais disputados de todos os tempos para a prefeitura municipal.

O médico Lauro Maia, já falecido, e que gozava de um grande conceito em toda capital, e em especial nas camadas menos favorecidas, era por assim dizer o candidato da situação, porque contava com o apoio do então governador Valadares, e também do prefeito em exercício à época, Viana de Assis.

A campanha não foi das mais tranquilas. A cassação de Jackson Barreto que lançou Paixão para a disputa contra Lauro Maia, acirrava os ânimos. JB com todo o tempo disponível a seu favor, percorria todos os bairros, batendo de porta em porta, destampando panelas e apresentando o seu candidato.

À época a grande força das campanhas concentrava-se nos chamados showmicios, que arrastavam multidões, que para assistir aos shows dos seus artistas preferidos tinham que suportar enfadonhos discursos.

Em um desses eventos, programado para o Conjunto Augusto Franco, o artista convidado foi o romântico Wando, que à época estava estourado no país com o seu grande sucesso, Fogo e Paixão.

No dia do show, o governador Valadares, principal apoiador de Lauro Maia, solicitou ao empresário responsável pela vinda do cantor, que o mesmo não cantasse o seu grande sucesso, em função do mesmo lembrar aos eleitores, o nome do candidato adversário, Wellington Paixão.

Acordo feito. Chega a hora do show. Milhares de pessoas presentes ao local, quando quase ao final, Wando resolve cantar o seu grande sucesso. Foi o suficiente para o tempo esquentar. Em cima do próprio palco de show, o empresário local partiu para o empresário do cantor aos murros e pontapés, encerrando a apresentação e com Wando tendo que deixar o local dentro de um camburão da polícia.