EU CONHECI, E ENTREVISTEI GARRINCHA

Por Carlos Batalha

Publicado em 15/06/2017 as 12:04

Um dos maiores jogadores de futebol que o mundo já conheceu foi Garrincha. Escrever aqui sobre suas virtudes, seria repetir o que centenas ou talvez milhares de jornalistas já fizeram.

Como comecei a acompanhar futebol ainda muito novo, com meus dez, doze anos de idade, tive a oportunidade de ao vivo, assistir Garrincha jogar pelo menos duas vezes em Salvador, usando a tradicional camisa sete do Botafogo, contra o Esporte Clube Bahia, ainda na década de 60.

Na década seguinte, Garrincha já praticamente derrotado fora de campo pelo álcool e pelas contusões, se exibia em gramados até de terra batida pelo Brasil afora, como em um circo mambembe,  para ganhar o pão de cada dia.

Foi aí, que os seus amigos e a imprensa, tiveram a feliz ideia de maneira muito justa, de promoverem uma partida de despedida do craque em pleno Maracanã, cuja renda seria revertida para cada uma das suas sete filhas.

Chegado o dia do jogo, eu que trabalhava na Rádio Liberdade de Sergipe, estava lá, e com exclusividade, transmiti a partida para o nosso estado, mesmo porque, em campo estava uma revelação do nosso futebol, o veloz ponta Jacózinho, que pelos seus dribles rápidos, chegou a ser comparado ao monstro das pernas tortas (exagero).

Garrincha permaneceu em campo aproximadamente uns trinta minutos, e chegava a doer na alma, observar que os adversários facilitavam a sua passagem em respeito e referência a todo o seu
passado.

Mané, como era carinhosamente tratado, foi substituído aos trinta minutos ainda do primeiro tempo, indo para o vestiário, e eu, deixando o microfone com o saudoso colega Alceu Monteiro, também corri para o mesmo local.

Lá chegando, o vestiário estava aberto, Garrincha já havia tomado seu banho, e semi nu, enrolado em uma toalha, a Alegria do Povo, chorava copiosamente. Eu sentei ao seu lado, e também chorando, fiz sem dúvida nenhuma a mais emocionante entrevista de toda minha vida esportiva.